Devido à crescente necessidade de reduzir custos e enxugar o cronograma de uma obra, está se tornando cada dia mais comum a adoção de sistemas racionalizadores que visam otimizar os recursos dentro de um ambiente construtivo.

         Nesse contexto surgiu a Alvenaria de vedação Racionalizada, que adota procedimentos que se contrastam com a já conhecida Alvenaria Tradicional.

         Primeiramente, uma alvenaria cerâmica de vedação pode ser definida como um subsistema do edifício onde a alvenaria não foi dimensionada para ter função estrutural e resiste somente ao seu próprio peso. Seu uso é restrito à proteger um ambiente interno de agentes externos indesejáveis, como ventos, chuvas e ruídos, e de promover a definição e separação dos ambientes internos. Além disso, uma alvenaria de vedação serve como suporte para as instalações do edifício, se as mesmas forem embutidas.

         O procedimento de racionalização em uma construção consiste em um conjunto de ações que visem otimizar o uso de recursos, sejam eles humanos, materiais, financeiros ou temporais, por exemplo, tornando a aplicação dos mesmos mais eficiente. A alvenaria de vedação racionalizada já é bastante utilizada na construção civil e vem trazendo resultados finais bastante positivos.

          Para entender o funcionamento de uma alvenaria racionalizada, é preciso compreender como funciona uma Alvenaria Tradicional. A não utilização de um projeto de alvenaria, como ocorre nesse tipo de serviço, faz com que as soluções construtivas sejam improvisadas durante a execução da mesma, não havendo um planejamento prévio. Como não há a exigência de uma mão-de-obra muito qualificada, nem sempre o serviço é executado com qualidade. É muito comum verificar um alto índice de desperdício de materiais, uma vez que, para a passagem das instalações elétricas e hidráulicas e para o embutimento de caixas, se faz necessário o seccionamento das paredes (abertura de rasgos com utilização de marretas), que são posteriormente remendadas com argamassa de preenchimento. Dessa forma, o índice de retrabalho também se torna elevado, já que a alvenaria é executada e em seguida quebrada para passagem das instalações. Além disso, o próprio transporte desses blocos cerâmicos não é feito de forma racionalizada, o que faz com que parte do material já chegue no pavimento apresentando imperfeições. As imagens 1 e 2 a seguir mostram os problemas provenientes com a passagem das instalações que são embutidas na alvenaria e a consequente geração de entulho após a passagem dessas instalações em uma obra que utiliza Alvenaria Tradicional, respectivamente.

Alvenaria Tradicional. Fonte: fotos tiradas pela professora Helena Carasek Cascudo.

          Em contrapartida, em uma Alvenaria Racionalizada temos a utilização de blocos cerâmicos de maior qualidade, mais leves (o que reduz a carga da estrutura e eleva o rendimento do serviço) e com furos na vertical, propiciando a passagem das instalações sem promover a quebra dos blocos (Imagem 3).

Bloco cerâmico 14x19x39 cm.

         Todo o serviço de alvenaria é compatibilizado com os demais subsistemas (estrutural, elétrico, hidráulico…) e paginado em um projeto específico de alvenaria que irá determinar a posição exata de cada bloco cerâmico (Imagem 4), otimizando os processos. Uma das grandes vantagens de se ter um planejamento prévio da alvenaria é o conhecimento da quantidade exata e dos tipos de blocos que serão necessários para a execução de uma determinada parede, por exemplo. Isso faz com que haja um controle na subida dos materiais para o local de trabalho e permite uma melhor visão da produtividade em cada pavimento. A compatibilização com o projeto de elétrica, por exemplo, permite que os blocos sejam assentados com furos paralelos à direção da tubulação. A Imagem 5 mostra uma parede de Alvenaria Racionalizada com a fiação e distribuição elétrica de parede já concluídas.

Vista frontal de uma parede de alvenaria. Fonte: www.pauluzzi.com.br

Parede de alvenaria com instalações elétricas embutidas.

          A paletização dos blocos, outra característica de uma Alvenaria Racionalizada, evita com que haja quebra dos blocos durante o transporte dos mesmos (Imagem 6). Sendo assim, há uma melhoria significativa na limpeza e organização do canteiro de obras, bem como uma redução drástica no desperdício de materiais.

Fornecimento dos blocos em pallets, facilitando o transporte ao local de aplicação.

          Nesse sistema de vedação, a aplicação da argamassa se restringe às paredes do bloco, como é mostrado na Imagem 7, enquanto que, em uma Alvenaria Tradicional a argamassa é aplicada em todo o topo do bloco. Dessa forma, o gasto de massa é menor. Embora o preço de um bloco de alvenaria racionalizada seja superior ao preço de um bloco tradicional, o bloco racionalizado é mais resistente e quase não quebra. Ademais, durante a execução é comum o uso de uma família de blocos compensadores, o que evita a quebra dos blocos cerâmicos e permite a execução de paredes com encaixes adequados (Imagens 8 e 9).

Aplicação da argamassa nas paredes do bloco.

Blocos compensadores (o bloco inteiro se separa em três partes sem a necessidade de serras manuais).

          A necessidade de uma mão-de-obra especializada, faz com que a produtividade reduza um pouco no início, uma vez que o funcionário deve ser treinado para executar o serviço conforme especificado no Projeto de Alvenaria e deve ficar atento à decida dos eletrodutos durante a elevação da alvenaria. No entanto, com o passar do tempo, os funcionários se adaptam aos novos procedimentos e a produtividade é alavancada em função da aplicação mais racional e eficiente dos recursos utilizados para a execução desse serviço. As imagens 10 e 11 ilustram o resultado final de uma parede de vedação com Alvenaria Racionalizada.


    Alvenaria Racionalizada sendo executada e parede em Alvenaria Racionalizada finalizada, respectivamente.

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Vale a pena usar Alvenaria Racionalizada?