O método Top Down Construction vem melhorando consideravelmente a velocidade de entrega dos empreendimentos, ao mesmo tempo em que proporciona excelência construtiva, aprimoramento e redução de uso de recursos, melhorando os custos e reduzindo a poluição.

Convencionalmente, edifícios que apresentam subsolos são construídos sequencialmente, do nível mais inferior para o nível mais elevado da estrutura. Embora esse método convencional seja muito utilizado em função de suas técnicas construtivas e projetos mais tradicionais, pode ser inviável quando da execução de projetos grandiosos, com restrições de espaço e um cronograma limitado. O sistema Top-Down Construction, como o próprio nome sugere, é um tipo de construção que envolve executar a escavação dos subsolos de um prédio ao mesmo tempo que a superestrutura do edifício avança, isto é, há a presença simultânea de diferentes equipes em duas frentes de trabalho: na fundação e na estrutura superior. Essa técnica tem sido utilizada com sucesso em projetos de alta elevação com subsolos relativamente profundos, bem como em projetos onde as estruturas são subterrâneas, como estacionamentos e estações de metrô. Este método dispensa a existência de um vasto canteiro de obras e pode economizar um tempo significativo no cronograma da obra, gerando benefícios para o planejamento e orçamento do empreendimento.

Para o escoramento da estrutura superior, são executadas fundações provisórias, que são dimensionadas para suportar as cargas verticais transmitidas pela estrutura completa. É importante sempre verificar se o incremento das cargas, à medida que a estrutura superior é executada, está de acordo com a capacidade da fundação provisória. Os empreendimentos que serão construídos utilizando este método, normalmente se iniciam pela execução de paredes de contenção (paredes-diafragma, que são instaladas antes do início das escavações), que irão servir de suporte para as colunas exteriores do prédio, e das fundações, tanto as provisórias quanto as definitivas em estacas do tipo barrete, por exemplo. Na figura a seguir, a fundação dos pilares intermediários é feita a partir de uma combinação destas estacas com perfis metálicos. Em seguida, é construída a laje do pavimento térreo, e só então são iniciadas as escavações e a elevação da estrutura superior, simultaneamente.

   Figura 1 – Esquema do método Top-Down Construction

Um exemplo de empreendimento construído no Brasil utilizando esta técnica, foi o Edifício Virtus, localizado na avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro. Localizado em um local de intensa movimentação que impossibilitava a existência de um canteiro de obras, e com diversos problemas de logística, a solução encontrada para execução do projeto foi adotar a técnica de Top-Down Construction.

Figura 2 – Escavação do Edifício Virtus sendo feita com equipamentos pequenos e debaixo de cada laje. Fonte: Techne PINI

Apesar das vantagens apresentadas, esse método apresenta algumas limitações, como a maior dificuldade e lentidão nos serviços de escavação e movimentação de terra, em função da necessidade de se utilizar máquinas de pequeno porte, e o fato do pico de mão-de-obra ser no início da obra e não no meio, como normalmente é verificado. No entanto, estruturas de edifícios em aço estrutural, bem como em concreto armado, vem sendo construídas de forma satisfatória ao redor do mundo por meio dessa técnica construtiva.


Figuras 3 e 4 – Church House Office Building. Fonte: Airey Taylor Consulting, Australia.

 

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Top-Down Construction